Transformando dias ruins em dias piores

Fevereiro começou terrível. Estava tudo bem até então e não sei quando começou a desandar a coisa todas. O pior de tudo é que não basta estar ruim, as pessoas conseguem deixar ainda pior. Se eu parar para pensar, com toda certeza, me incluirei nesse grupo de pessoas e isso é bem triste.

Antes de perguntar como o indivíduo está e em qual direção a vida dele está seguindo, nós preferimos jogar um balde de palavras cortantes, de uma vez só, em cima dele.

Ontem tive que ouvir que eu era arrogante, injusta, ingrata, me achava melhor do que os outros… que seria melhor mesmo se eu fosse embora. Tudo isso em menos de quatro horas e por duas pessoas diferentes. Isso por causa de uma situação que já tinha acontecido há, praticamente, duas semanas atrás. Dá para acreditar? Talvez eu estivesse, errada. Mas com certeza não era o momento para falar sobre.

Tudo bem, só estou pensando dessa forma porque, nesse caso, a atingida fui eu. Certamente já fiz o dia de alguém pior. Céus! Quão cruel isso é?

Pelo menos recebi denguinho de duas pessoas. Aliviou, mas não é como se eu não tivesse me cortado nenhum pouco. Eu só estava tendo um dia ruim e de repente virou um pesadelo. A gente volta para lá e sorri como se tudo estivesse limpo outra vez. Não é assim que a gente ganha o diploma de Mulher Madura? Pois bem, estou correndo atrás do meu. Espero que consiga logo, assim vou poder chorar de novo.

Droga, bagunçou tudo de novo.

Um belo dia você acorda com uma dor no pescoço. Uma dor nas costas. Seus olhos ardem. Seus músculos ardem. Você tem dificuldades para se lembrar das coisas, você tem dificuldades para acordar. Você tem dificuldades para dormir, para engordar, ou emagrecer, dificuldades em chegar de um ponto ao outro, dificuldades em chegar ao ponto, você perde o ponto, perde tempo. ganha rugas.

Os dias passam, você respira fumaça, bebe água contaminada. Queima a pele do seu rosto pelos raios catódicos do monitor, acende um cigarro, se pergunta até que idade você vai sobreviver.
Pensa em se mudar para o interior. Pensa em parar de fumar. Pensa em comprar roupas novas. Pensa em matar alguém.
Um belo dia você acorda e se dá conta que está cansado.
Você se cansa da cidade, dos carros, das luzes. Você se cansa do lixo, das pessoas, do barulho. Se cansa de não saber para onde ir, se cansa de não ter para onde ir e precisar ir para algum lugar.
Você se cansa de não ter razão, de não ter caminhos, de não ter opções, se cansa de ver sua vida igual a de todos os outros, se cansa de ser de um rebanho sem pastor.
Você se cansa de chefes, deuses, impostos, moda, dinheiro. Você se cansa da sensação de estar desperdiçando seu tempo, você se cansa de não ter tempo algum para disperdiçar.
Você se cansa de viver em um mundo onde quem não está desesperado, está louco. Você se desespera com medo de enlouquecer. Respira fundo, acende um cigarro.
Você se cansa de não saber exatamente do que está cansado. Se cansa do “alguma coisa está errada” que paira sobre o ar desde uma época que você não se lembra.
Se cansa das avenidas, das ruas, das alamedas, das praças, do sol, dos postes, das placas de sinalização, das buzinas.
Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo. Se cansa do “apesar de”. Se cansa do rabo entre as pernas, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do “a vida é assim mesmo”. Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono.
Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenezi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é. Se cansa da sensação de não poder parar.
E você não para, até que esteja morto.

Janeiro, 2018 – Resumão

Janeiro passou no tempo certo. Nem rápido, nem devagar.
Um monte de coisa que eu queria que acontecesse, não aconteceu. Aconteceram coisas boas, claro, mas sou do tipo de gente que se uma coisa desanda é um balde de água fria (uma desgraça).
Sei que as coisas vão acontecendo com calma e me forço a respirar fundo e dizer “calma, vai dar tudo certo na hora que der certo” (falo desse jeito para eu pensar “óbvio” e soltar um esboço de sorriso no final).

ASSISTIDOS
Assisti mais coisas do que imaginei que fosse capaz:
01. Breaking Bad
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Toda vez que penso nessa série não consigo usar outra palavra que não seja “incrível” e seus sinônimos. Não queria dizer isso, porque ouvi milhões de vezes antes de assistir, tem algum momento ela fica chatinhas mas depois é só explosões de cérebro. Depois que terminei me dei conta de que o tempo em que eu achei a série monótona e lenta foi extremamente importante para a construção do cenário e dos personagens. E que personagens, meu amigos.
Vale a pena,

02. Dark
É a primeira produção alemã original da Netflix.
É cheia de trama, onde os personagens passeiam no tempo e tentam encontrar lógica para o sumiço de algumas crianças da cidade.
Até agora, foi lançada somente a 1ª temporada.
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Aguardando ansiosamente pela 2ª temporada.

03. Vikings
Não é o tipo de série que eu costumo gostar: mortes extravagantes, batalhas, sexo e batalhas. Entretanto, é interessante ver um pouco da cultura nórdica.
Fiquei mal acostumada com Breaking Bad passando as coisas tão devagar, mostrando com detalhes a evolução do personagem, que quando chegou Vikings me assustei.
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Talvez tenha me apegado a série.
Na Netflix saiu até a 4ª temporada, mas já tem por ai a 5ª. Eu vou esperar sair na na Netflix (sad but true)

E tiveram outras que comecei e não terminei. Acredito que nem vou terminar tão cedo.

LIDOS
Comecei a ler Os Filhos de Anansi, do Neil Gaiman (que ganhei de natal da minha irmã, junto com outros livros que tô ansiosa para ler também). Ainda não terminei, mas é difícil se decepcionar com o Gaiman.

FEITOS

  • Ajudei a fazer mil (literalmente) pregadores com coelinho de biscuit para uma encomenda;
  • Estudei/ainda estudando para um concurso que eu daria muitas coisas para passar, embora a situação seja complicada já que eu não tenho os pré-requisitos da vaga rs;
  • Crush agora é mozão. Sim, comecei a namorar (são tantos os dias de luta que quando chega os dias de glória a gente não acredita);
  • Desisti do meu Bullet Journal.

PARA FAZER NOS PRÓXIMOS MESES (que não seja arrumar um emprego e alugar um apê, pois esses já estão batidos e nunca dá uxi)

  • Voltar a praticar desenho;
  • Mandar mais mensagens para amigos/familiares que moram longe;
  • Aprender um mantra;
  • Fazer meu próprio baralho de aquarela.

(Não vou colocar muita coisa porque acabo sempre me frustrando no final)

O tal do Ano Novo

Eu nunca fui muito adepta da energia de renovação do Ano Novo e com o passar do tempo foi ficando cada vez pior. Sempre disse para mim mesma que meu “Ano Novo” era no meu aniversário. Acredito que o Ano Novo é de cada um, e ele pode acontecer a qualquer momento com, ou sem, comemoração.

Mas isso tanto faz.

O ano passado foi todo embaraçado. Chorei muito e não ri tanto assim. Escondi muitos sentimentos (sempre fiz isso, mas não me orgulho). Ao invés de brigar, calei. Implodi. Cai e levantei e cai. Achei que não conseguiria de jeito nenhum.

Queria ter “os melhores momentos de 2017” como vi por ai, mas 2017 não teve melhores momentos.

Mas esse ano já começou nos trilhos. Fiz questão de arrumar o que mais me causava dor. Criei metas e sonhos. Levantei pra valer, joguei uma água gelada no rosto e estou pronta para correr uma maratona.

Não, isso não significa que está tudo perfeito. Ainda há muita coisa que precisa da minha atenção e meu cuidado. Diversas coisas que preciso mudar em mim para que eu possa ver as coisas acontecendo lá fora.

Eu estou confiante e não quero desanimar.

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Quem explodia era eu.

A gente tem tanto pra dizer mas acaba ficando calado porque acha que não vai adiantar se estressar e debater e ficar triste. A gente tem tanto sentimento guardado, sufocado pelo julgamento e angustia do que o próximo vai pensar, apontando o dedo antes de estender o braço, o ombro, o ouvido. A gente tem tanto pensamento dentro da cabeça abafado pelas coisas que lê na internet, pelas coisas que escuta no ônibus, pelo cansaço da rotina, que acaba deixando de lado quem somos no nosso íntimo, naquela massa acinzentada. A gente tem tanto dentro da gente, da galáxia que envolve nosso estômago, braços e pernas e mãos e cotovelos e coração. A gente tem tanto e acaba sendo nada por medo e exaustão.

Lá na rua, alguém soltava fogos de artifício para o céu, mas quem explodia era eu.

Imagem: Georgia Theologou
Imagem: Georgia Theologou

Não quero ser dona do tempo

E se fossemos capazes de viajar no tempo? Essa semana vi De volta para o futuro e li Donnie Darko. Os dois falam sobre viagem no tempo (Donnie Darko pode não ser, mas De volta para o futuro com certeza é) e mostram as consequências que isso pode acarretar. Por seis segundos eu devaneio sobre o que eu mudaria e como as coisas estariam melhores agora.

Será que realmente estariam melhores? Acredito que todas as nossas escolhas carregam consigo consequências ruins e boas, porém nunca saberíamos essas consequências se não tivéssemos tomado certa decisão. E se fosse possível voltar no tempo somente uma vez? Suponho que todos começariam a enlouquecer pensando o que poderia ser do que não foi. E se fosse possível voltar quantas vezes julgássemos necessário? Será que não ficaríamos no mesmo espaço de tempo pra sempre tentando fazer a escolha perfeita?

De certa forma, é melhor deixar a vida seguindo seu curso normal. Lembro bem da última cena do filme Questão de tempo – About time em que o Tim fala “De repente, a viagem no tempo parece desnecessária porque todos os detalhes da vida são prazerosos.” E é exatamente isso, parece que a gente só precisa olhar com um pouco mais de carinho pra vida.

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Cena do filme Questão de tempo

“A verdade é que não volto mais no tempo, nem por um dia. Apenas tento viver cada dia, como se tivesse voltado para este dia para curti-lo… como se fosse o dia final da minha extraordinária e simples vida.” (Questão de tempo)